
“Quando os guerreiros como tais chegam ao fim do seu caminho evolutivo, só há um lugar onde podem ir, um salto que necessariamente devem dar, uma transmutação a realizar, a de se tornarem homens de conhecimento (…)“ (Alfredo Tucci).
No caso específico do karaté o final do caminho leva-nos, ou pelo menos assim o desejamos, ao satori.
Agora há muito boa gente por aí que baralha tudo. Baralham, porque muitos nunca tiveram as bases suficientes para conseguirem alcançar o entendimento suficiente do que é o karaté. Cada vez mais vejo colegas a ter uma visão tão curta da nossa arte, vêm-na apenas como corpo, como físico e limitam-se a isso mesmo, à vida térrea… Vivem a falar dos seus gloriosos feitos, dos títulos, dos seus dan’s, etc. Ainda estão no passado, e quando assim é…
O Sensei Kase, nos seus últimos anos de vida, com várias dezenas de anos de prática intensa da nossa arte, disse que “agora é que começo a compreender o karaté”. Na altura pareceu-me estranho, pois o meu entendimento era limitadíssimo. Não é que hoje seja muito maior…
Mas há Mestres de Karaté, e no nosso país também (!), que estão mais além. É junto desses que quero estar, pois esses vão ajudar-me nesta longa e difícil caminhada.
Mas se nascer junto de pessoas do passado é incontrolável, já não procurar mestres que nos ajudem é, e desculpem-me a frontalidade, burrice.
Sinceramente, a cada dia que passa, nós karatecas estamos mais informados. Começo a constatar algumas alterações no panorama nacional, com mais colegas a procurar o caminho certo e junto de quem realmente está no karaté com boas intenções. Diz-me com quem andas, que eu digo-te quem és.
Sei que sou muito brando nas palavras e não procuro o conflito, mas está na altura de despertar, pois o tempo não pára.